Ela estava bem longe de ser perfeita. Tinha incontáveis defeitos, os quais poderia citar e falar sobre durante horas e horas. Era indiferente, calada e fria. Não demonstrava a sua felicidade com um sorriso de canto de boca, nem sua tristeza com um profundo suspiro. Simplesmente não expressava seus sentimentos, mas, assim como tudo tem um porquê, ela teve o seu por quem. Alguém que prometeu ficar e fazer companhia em seus dias solitários, que prometeu ser o equilibro para sua instabilidade emocional, que prometeu estar ali sempre que ela precisasse. Alguém que esqueceu suas promessas, que foi incapaz de assumir o que realmente sentia, que quebrou seu coração em mil pedaços e os atirou em qualquer lugar, impedindo-a de reuni-los novamente, que nem sequer a ensinou como fazer isso.
Vaga e confusa, então, colocou-os num potinho e o guardou em sua gaveta mais escondida na intenção de que mais ninguém os encontrasse. Ela não queria mais chorar quando as lembranças viessem atormentá-la ou sangrar por dentro todas as vezes que alguém perguntasse o que havia acontecido. Fechou-se para o mundo e para qualquer resquício de sentimento que ela tivesse a mínima possibilidade de sentir.
Mas quem a culparia? Cada um tem a sua forma de tentar superar ou simplesmente fingir que não aconteceu, de ocupar seus pensamentos ou deixar que sinta tudo de uma só vez. No fundo ela sabia que nada disso funcionaria, talvez fosse um descuido seu ou apenas a vontade de reviver novamente o amor, a ilusão, a dor e as cicatrizes que ele deixou ao partir.
Quem sabe um dia ela encontre em seu caminho alguém que a faça mudar de ideia e que saiba juntar as peças do seu coração para que ele possa se entregar a algo novamente, ou alguém que só a conforte mesmo. Talvez ela só precise de mais um tempo para aprender a lidar com a sua inconstância, ou apenas precise da sua inconstância para não se perder no tempo. Enquanto não se decide, ela acende um cigarro e vai para a sacada de seu apartamento, onde pode ruminar seus devaneios e, como de costume, ecoar o seu silêncio em vão.

Um Comentário

  1. Nossa, Lena! Apaixonada demais por esse texto, to até pensando se não existe um fundinho de verdade. Foi tão profundo que quase senti daqui a desilusão dela e até me fez lembrar de alguns ocorridos. Beijão

    Quero ser Miranda

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